Nesta quarta-feira, Muricy Ramalho tinha uma baixa importante na defesa, devido à expulsão de Rodrigo Caio no jogo de ida. Seu substituto foi Lucas Silva, de 18 anos. Essa escolha - e não o canhoto Edson Silva -, segundo o treinador, foi pelo fato de o garoto ser destro e não forçar também uma mudança de posicionamento de Antônio Carlos, já acostumado ao lado esquerdo da zaga.
A outra dúvida, entre Paulo Henrique Ganso ou Pabon, foi desfeita mesmo somente minutos antes da partida. O camisa 10 retornou ao time, dias depois de ter discordado publicamente do esquema tático sem um armador de ofício, o que fez com que Muricy promovesse a volta da formação tática com dois atacantes pelas laterais (Osvaldo bastante aberto pela esquerda, e Alexandre Pato com um pouco mais de liberdade), além de Luis Fabiano centralizado.
Logo aos cinco minutos, Osvaldo arrancou por trás da defesa adversária e recebeu passe de Luis Fabiano, mas a jogada foi paralisada por impedimento. Seria assim, explorando os lados, que o São Paulo teria menos dificuldade, diante de um CRB com o meio-campo povoado por quatro volantes. No minuto seguinte, após um bom cruzamento de Souza pela direita, Pato cabeceou menos de um metro acima do travessão, assustando o goleiro Júlio César pela primeira vez.
Djalma Vassão/Gazeta Press
O CRB esboçou uma ou outra ação ofensiva no primeiro terço da etapa inicial, mas sem muita clareza. A primeira chance criada foi com Tozin. O atacante recebeu passe na meia-lua e chutou rasteiro e fraco. A bola bateu na defesa e voltou para ele, que, de novo, chutou de primeira, sem força. Depois disso, a equipe alagoana quase sempre destruiu suas próprias jogadas de ataque errando muitos passes.
Osvaldo, melhor jogador do São Paulo desde o apito inicial, levava muito trabalho ao lateral Diego Aragão e aos demais marcadores do lado direito do CRB. Aos 12 minutos, ele passou por dois jogadores e só foi parado com falta. Cinco minutos depois, acreditou em cruzamento de Luis Ricardo que atravessou quase toda a área sem nenhum desvio e colocou a cabeça na bola para abrir o placar.
Reiniciada a partida, a preocupação da torcida e dos demais jogadores se transferiu para a arbitragem. Por mais de uma vez, a assistente Fernanda Colombo Uliana foi cercada pelos são-paulinos. Ora por assinalar impedimentos, ora por não apontar uma susposta agressão de Gabriel em Luis Fabiano. O alvo só mudou aos 39 minutos, no momento em que Luis Ricardo perdeu de Diego Rosa pelo alto e deixou Tozin frente a frente com Rogério Ceni. Para sorte do lateral direito, cobrado pelos parceiros de defesa, o capitão defendeu o chute.
Aos 47 minutos, foi a vez de outro Luis - o Fabiano - errar. O centroavante ficou com a bola dentro da área, graças a bobeada do zagueiro Marcus Vinícius, e a carregou poucos metros até ficar cara a cara com Júlio César. De frente para o gol, o centroavante arrematou de bico, e o goleiro fez a defesa. "Não tenho o costume de chutar de bico, acabei chutando em cima do goleiro. Tive o gol aberto e, infelizmente errei", lamentou o camisa 9, na descida para o vestiário.
Djalma Vassão/Gazeta Press
O gol perdido não faria falta. Passados quatro minutos do intervalo, Lucas Silva ampliou a vantagem, em cabeceio certeiro após cobrança de falta pelo lado direito. Foi o primeiro gol em seis atuações como profissional do garoto formado nas divisões de base. Um gol bastante comemorado pelo substituto de Rodrigo Caio e aplaudido pelos companheiros mais experientes, como o capitão Rogério Ceni, que o tempo todo fazia questão de auxiliá-lo nas saídas de bola.
A vitória poderia ter sido mais tranquila se Pato e Ganso não tivessem desperdiçado grandes chances pelo lado direito da área. O atacante teve um forte chute espalmado, ao passo que o meia caprichou demais no toque e facilitou a defesa de Júlio César. Mas a vitória também poderia não ter sido suficiente se não fosse a trave direita de Rogério Ceni, que evitou o gol do CRB - o que levaria a decisão da vaga para os pênaltis - após cabeceio do atacante Tozin. Aos 36 minutos, Ceni converteu pênalti sofrido por Ademilson e fez justiça ao que foi o jogo.
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