É verdade que a fase de grupos proporcionou três duelos entre campeãs do mundo, mas nenhum com plano de fundo histórico comparável à batalha entre franceses e germânicos. Nesta Copa do Mundo, sobrou aos dois defender o orgulho dos europeus que têm ao menos uma estrela bordada no peito. A hegemonia no poder futebolístico do Velho Continente, pelo menos dos próximos quatro anos, está em jogo nestas quartas de final.
Esquecendo a derrota em 1958, os alemães têm nos Anos 80 grande inspiração para vencer os rivais. Foram duas vitórias seguidas nas semifinais, no México e na Espanha, e nem Michel Platini fez os franceses esquecerem Rummenigge e Rudi Voeller naquela década. Desta vez, os Azuis afastam da mente a possibilidade de um novo fracasso, quem sabe pelos pés de Schweinsteiger e Thomas Muller.
“Esse jogo sempre foi e será um clássico, com contornos tensos e dramáticos”, exalta. “Deschamps montou um time muito guerreiro e bem armado no meio de campo. Além disso, eles possuem Benzema e Giroud na frente. Como todo clássico, terá emoção para os expectadores”, assegura o treinador alemão.
Mas só Benzema não basta. Os franceses precisam se aproximar para vencer a Alemanha, diferente do que fizeram na última apresentação. Se a defesa nigeriana aceitou lançamentos, os germânicos não devem encontrar problemas para conter esse tipo de investida, como o goleiro-líbero Neuer mostrou nas oitavas de final. Os Azuis também não podem usar como base a Argélia – que curiosamente tanto tem de França em si, pois os norte-africanos foram bombardeados, e nem os milagres de M'Bolhi foram suficientes para a classificação.
Os gols de Schürrle e
Ozil espantaram os receios do “Jogo da Vergonha” de 1982 e trataram de garantir
nova reedição daquela Copa do Mundo. Amante da brazuca, a Alemanha é quem mais
troca passes neste torneio, tendo em Lahm e Toni Kroos sua dupla de maestros do
meio-campo. Os dois são os responsáveis pela estratégia militar em campo,
escolhendo o ritmo de jogo de acordo com as próprias vontades.
AFP
O estilo
fez os números alemães evoluem partida a partida, sendo contra a Argélia o ápice
da posse de bola (64%), de desarmes (24), passes certos (688), finalizações a
gol (15) e arremates cedidos ao adversário (três). Os germânicos atuam cada vez
mais próximos – unidos como na guerra franco-prussiana de 144 anos atrás. Com os
espaços na marcação argelina, Philipp Lahm comandou a melhor atuação nesta Copa
da tricampeã mundial, que é cada vez mais precisa, meticulosa e
combativa.
Lahm tem cuidado bem
da brazuca até aqui, acertando 322 passes nesta Copa do Mundo (foto: Gabriel
Bouys)
É verdade que os comandados de Joachim Low ainda não encararam um combate de peso, e então os Azuis têm um elenco à altura do desafio. Fato é que a França precisa unir suas linhas, senão a queda da realeza Karim Benzema parece inevitável frente à unificação do meio-campo alemão, e a vaga na semifinal talvez seja a Alsácia-Lorena deste Mundial.
FICHA TÉCNICAFRANÇA X ALEMANHA
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 04 de julho de 2014, sexta-feiraHorário: 13 horas (de Brasília)Árbitro: Nestor Pitana (Argentina)
Assistentes: Hernan Maidana e Juan Pablo Belatti (ambos da Argentina)
FRANÇA: Lloris; Debuchy, Varane, Koscielny e Evra; Cabaye, Matuidi, Pogba e Valbuena (Sissoko); Benzema e Giroud (Griezmann).
Técnico: Didier Deschamps
ALEMANHA: Neuer; Boateng, Hummels (Khedira), Mertesacker e Höwedes; Lahm, Schweinsteiger, Kroos, Ozil e e Gotze (Podolski); Thomas Muller
Técnico: Joachim Low
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