O Bolsa Família transformado em uma das principais bandeiras da gestão petista, teve mais impacto para ajudar a presidente Dilma Rousseff (PT) a ampliar sua vantagem sobre os adversários nas eleições deste domingo (5) do que no primeiro turno de 2010. Fechadas as urnas, a distribuição dos votos de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) revela um país profundamente dividido do ponto de vista político e social. As diferenças são tão fortes que, se os dois candidatos pensam em mobilizar aqueles que votaram com o seu concorrente no primeiro turno, terão que mudar seus discursos. Mesmo assim, sem qualquer garantia de que eles vão se sensibilizar com suas propostas.
Restariam aqueles que apostaram em Marina Silva (PSB), estes sim com uma decisão eleitoral pouco relacionada com indicadores sociais como renda, ou mesmo com o principal programa de transferência de renda do governo federal, o Bolsa Família.
Uma análise da relação entre variáveis socioeconômicas e voto nos mais de 5,5 mil municípios mostra que Dilma e Aécio mobilizaram eleitores com perfis distintos. Esse tipo de análise não deve ser interpretada como uma explicação direta da decisão dos eleitores, mas como uma evidência forte de que existe alguma relação que pode ser melhor estudada por especialistas. O que os dados mostram? Enquanto a votação da candidata do PT cresce sistematicamente à medida que a renda per capita dos eleitores cai, a votação do tucano apresentou comportamento diferente: sua proporção de votos sobe conforme a renda média dos moradores também cresce nos municípios.
Essa característica revela não apenas uma alta associação de um componente econômico no processo de escolha dos eleitores, mas uma associação com direções bem opostas. Ou seja, são eleitores com expectativas distintas em relação aos dois candidatos. Marina, por sua vez, tem votação concentrada tanto entre eleitores de baixa como de alta renda simultaneamente, o que impede a formação de um padrão na distribuição dos votos.
No caso do Bolsa Família, as distribuições da votação de Aécio e Dilma voltaram a apresentar padrões distintos e fortemente correlacionados. A proporção de votos de Dilma cresceu à medida que aumenta a proporção de pessoas beneficiadas pelo programa nos municípios.
No caso do candidato do PSDB, quanto maior o número de beneficiados, menor foi a sua proporção de votos. A distribuição dos votos de Marina apresentou um comportamento pouco claro. Sua votação está concentrada simultaneamente em cidades com alto e baixo percentual de pessoas beneficiadas, o que dificulta a formação de uma relação entre voto e o Bolsa.
Com informações do Globo.
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