Centro de polêmica na Assembleia Legislativa e alvo da oposição na disputa ao Governo do Estado, a obra de construção do aquário na praia de Iracema, em Fortaleza, está suspensa por decisão da administração estadual. A obra está orçada em US$ 150 milhões (R$ 450 milhões) e, até o momento, consumiu mais de R$ 125 milhões.
A pedido da principal responsável pela obra, a empresa americana ICM Reynolds, o secretário de Turismo do Estado, Arialdo de Mello Pinho, anunciou, por determinação do Governador Camilo Santana (PT), a interrupção das atividades nos canteiros. A suspensão foi iniciada no último dia 6 e deve durar até o atual governo analisar queixas protocoladas pela companhia em dezembro.
“A empresa vem alegando que houve erros em medições e que não houve alguns pagamentos”, afirmou Arialdo Pinho, ao ser questionado sobre o assunto. Arialdo não especifica quais os débitos e erros no projeto apontados pela empresa. A ICM Reynolds não se pronunciou sobre a decisão adotada pelo Governo do Estado.
A construção do aquário foi iniciada em 2012 e tinha inauguração prevista para janeiro deste ano, mas o prazo atual para a abertura de portas ao público saltou para o segundo semestre de 2017.
De acordo com o portal de transparência do governo do Ceará, já foram pagos R$ 125 milhões às empresas contratadas, sendo R$ 89 milhões para a ICM Reynolds. Segundo o Secretário de Turismo, 65% da estrutura de concreto já estão feitas.
O aquário da Praia de Iracema é um projeto do Governo Cid Gomes e foi planejado para ser um dos maiores do mundo. Antes de sair do papel, a obra atraiu muitas críticas. Além das críticas da oposição, o Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual fizeram questionamentos sobre o processo licitatório.
O atual líder do PMDB no Senado e adversário do grupo de Cid Gomes, Eunício Oliveira, pautou a campanha ao Governo do Estado, em 2014, com pesadas críticas ao aquário e defendia que, ao invés da obra, a administração estadual deveria investir em projetos de combate aos efeitos da estiagem no Interior do Estado.
Em 2013, em entrevista no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, o hoje Ministro da Educação, Cid Gomes, disse naquele momento que estava lutando para fazer o aquário e reconhecia muitas resistências. Cid defendeu o aquário como obra importante para colocar Fortaleza como cidade referencial para o mundo.
Então candidato apoiado por Cid Gomes, Camilo Santana manteve a linha de defesa do aquário como instrumento de atração do fluxo turístico para Fortaleza. O aquário de 21,5 mil m² e 38 tanques pretende ser o quarto maior do mundo, com 15 milhões de litros de água. O governo estima que a atração possa receber até 1,2 milhão de turistas por ano –número próximo ao 1,5 milhão de turistas que se registraram em hotéis em Fortaleza durante o ano de 2011.
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