A Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República recebeu um relatório sobre os casos de violência contra homossexuais na cidade cearense de Itatira. Segundo o documento gays são perseguidos e até apedrejados por causa do preconceito contra pessoas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). As informações foram divulgadas nesta terça-feira (10) no site da UOL.
Os casos de homofobia seriam comuns na cidade de 20 mil habitantes, que fica a 212 quilômetros de Fortaleza. O relatório entregue a SDH lista seis casos considerados relevantes.
Entre as ocorrências está a do casal Antonio Claudemir Marcolino Macedo, 34, e Francisco Fabio Castro, 33. A casa deles foi apedrejada três vezes. Eles moram juntos há dez anos e, nos últimos meses, as ameaças se tornaram constantes.
A travesti Kyara Nanachara Medeiros, 27, que mora no povoado Lagoa do Mato, afirmou que hoje anda nas ruas com medo, após ser espancada e apedrejada por um desconhecido.As agressões ocorreram em 2013 e ela registrou BO (Boletim de Ocorrência). O agressor foi localizado, mas até agora o caso não foi julgado.
A adolescente T.N.S., 17, passou por situação humilhante com a irmã de 10 anos na praça de Itatira. Ela foi abordada por um policial quando passava a mão na cabeça da menina. A ativista LGBT Alice Oliveira é a responsável pelo relatório enviado à União. Ela visitou Itatira em janeiro a pedido da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
Alice afirmou que as agressões não são casos isolados e que as vítimas estão fragilizadas com a situação. O escritório Frei Tito, da Alece (Assembleia Legislativa do Estado do Ceará), que defende demandas coletivas para garantia dos direitos sociais, deverá ir à Itatira nesta semana para ouvir os homossexuais. Em contato com o MPE (Ministério Público do Estado), a promotoria da cidade informou que os procedimentos tramitam em segredo de Justiça e não poderia comentar os casos.
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