A ex-presidente da Petrobras Graça Foster em seu depoimento nesta quinta-feira na CPI das Petrobras considerou como “justo” o valor contábil de R$ 88 bilhões referentes a perdas da Petrobras, conforme balanço da empresa apresentado ao Conselho de Administração da Petrobras em janeiro último, mas negou que esse valor corresponda a corrupção verificadas pela Operação Lava-Jato.
“Esses R$ 88 bilhões representam o valor justo por conta de uma série de ineficiências, até mesmo por causa de chuva e outros, não são o número da corrupção”, disse à CPI da Petrobras.
Ela afirma, que defendeu, na ocasião, que o mercado fosse informado deste valor, mesmo que a metodologia usada para fazer o cálculo fosse questionada. “A presidente Dilma Roussef pediu para a senhora não divulgar este balanço?”, perguntou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). “Não, a presidente nunca me pediu isso”, ela respondeu.
Lorenzoni também questionou a ex-presidente da Petrobras a respeito da afirmação feita pela ex-funcionária da Petrobras Venina Velosa de que teria alertado Graça Foster a respeito de corrupção na Petrobras. A ex-presidente da Petrobras voltou a dizer que não foi informada de irregularidades.
Foster disse que “nunca soube” de propinas na empresa. Ela disse isso ao responder pergunta do deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), um dos sub-relatores da CPI da Petrobras. O deputado mencionou depoimento de um dos delatores do esquema, o engenheiro Shinko Nakandakari, que confirmou à Justiça Federal pagamentos de propina ao ex-diretor da estatal Renato Duque e ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, em contratos da Diretoria de Energia e Gás, entre 2008 e 2013. A diretoria foi dirigida no período por Ildo Sauer e depois por Maria das Graças Foster.
A ex-presidente da Petrobras repetiu declaração dada por ela no ano passado à CPI Mista da Petrobras a respeito da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Ela disse que, na época, a operação de compra se justificava, mas isso acabou sendo um mau negócio em razão da queda do preço do petróleo. “Eu esperava que em 2014 a refinaria desse um resultado melhor, o que não aconteceu por causa da queda do preço do petróleo. Não foi um bom negócio, olhando com olhar de hoje”, disse.
Para ela, o esquema de corrupção na empresa “se formou fora da Petrobras”. O relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) perguntou a Graça Foster se procediam às afirmações atribuídas aos delatores da Operação Lava Jato Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e Pedro Barusco de que as licitações na Petrobras eram feitas de maneira muito correta. “Não conheço caso em que diretores da Petrobras tivessem tido informações de vencedores de licitações antes da abertura dos envelopes de propostas”, disse Foster ao negar o vazamento de informações privilegiadas.
A ex-presidente da Petrobras disse à Comissão Parlamentar de Inquérito que “a Operação Lava Jato da Polícia Federal fez um bem imenso à Petrobras, apesar de todos os transtornos que tem ocorrido com a empresa”.
Com Agência Câmara
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