Se, no último domingo, os aliados do Palácio do Planalto definiram como ato de elite o panelaço de brasileiros que, da janela de casa ou nas ruas, fizeram manifestações contra o Governo Federal, durante o pronunciamento de 15 minutos, em rede nacional de rádio e televisão, da presidente Dilma Rousseff, o protesto, neste domingo, não pode, nem deve ser classificado como iniciativa de ricos e abastados.
Trabalhadores, sem terra, sem teto, profissionais liberais, ricos e pobres protestaram. Tiraram a camisa verde e amarela da gaveta usada nos jogos da fracassada seleção brasileira, no ano passado, e a vestiram para cobrar menos corrupção, menos arrocho, menos impostos, mais punição para quem desvia o dinheiro da Petrobras, menos inflação e menos PT.
O grito de revolta ecoa. O número de pessoas nas ruas surpreendeu até mesmo os dirigentes dos partidos de oposição. Surpreenderam, também, os integrantes do primeiro escalão do Governo Federal que receberam, ao longo dia, as informações sobre o barulho nas ruas e a quantidade de pessoas que saíram de casa para manifestar o sentimento de indignação em mais de 15 capitais e grandes cidades do País.
O Brasil do PT já não é mais o mesmo. O ciclo cansou. A fadiga chegou ainda mais cedo porque o chamado cristal de ética do Partido dos Trabalhadores foi quebrado com o mensalão e, agora, com o escândalo de corrupção na Petrobras.
Se os dirigentes nacionais do PT e os principais nomes da área política do Governo Dilma dizem respeitar a democracia, defendem as manifestações ordeiras e pacíficas, é hora de acabar com o discurso de que as manifestações contra o modelo petista de governar é coisa de rico e de elite.
A crise política existe. A crise econômica é real. O Governo Dilma que, em seu segundo mandato, conseguiu envelhecer tão rápido quanto o nível de descontentamento dos brasileiros, precisa reconhecer os erros e adotar novos caminhos para o Brasil voltar a crescer, gerar mais empregos e, especialmente, combater a corrupção.
Sem o exercício da humildade para ouvir o grito de insatisfação que surge nas urnas e a autocrítica para reconhecer a necessidade de implantar medidas que deem mais tranquilidade às famílias e aos trabalhadores, o Governo Dilma e o PT correm riscos de, ao ignorarem o clamor público, cometerem novos erros e encurtarem ainda mais o tempo útil de poder. Como disse a senadora Marta Suplicy (PT-SP): sem encarar a verdade dos fatos e sem diálogo, a vaca vai para o brejo.
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